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16 maio, 2012

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Ayahuasca, uma droga legalizada

Marcos Freitas - 06:09
Segundo o Dr. Arthur Guerra, médico psiquiatra,
"O chá de ayahuasca, também conhecido como yagé, vegetal ou "chá do Santo Daime", é uma bebida originalmente utilizada por indígenas da Amazônia com propósitos medicinais e religiosos. Preparado a partir da infusão de plantas, geralmente são utilizados o caule da Banisteriopsis caapi (jagube ou mariri) e as folhas da Psychotria viridis (chacrona ou rainha). Tais plantas são responsáveis pelos efeitos psicoativos do chá de ayahuasca, por conterem as seguintes substâncias: alcalóides ou beta-carbolinas (inibem a enzima monoamina oxidase, MAO) e o N,N-dimetiltriptamina (DMT), um agonista serotoninérgico que, na presença de inibidores da MAO, leva aos efeitos alucinógenos."

Eu tenho visto algumas pessoas adeptas destas seitas xamanísticas dizerem que o chá e seus cultos são
a salvação para usuários de drogas e/ou alcoólatras.
O chá contém dois alcalóides potentes: a harmalina, no cipó, e a dimetiltriptamina (DMT), que vem da chacrona. O DMT é uma substância controlada e foi proscrita para uso humano pelo Escritório Internacional de Controle de Narcóticos, órgão da ONU encarregado de estudar substâncias químicas e aconselhar os países membros quanto à sua regulamentação. O governo dos EUA afirma que seu uso é perigoso mesmo sob supervisão médica, e seu uso é proibido em países que possuem legislação anti-drogas, mas recentemente os EUA liberaram o uso APENAS para uma pequena seita brasileira em território americano, enquanto no Brasil ele é liberado para uso religioso. Advogados da União do Vegetal (UDV) dizem que especialistas atestaram que o chá é inofensivo, mas o CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) em seu parecer não fala nada sobre ser inofensivo, e libera apenas seu uso terapêutico, em caráter experimental, e que o "controle administrativo e social do uso religioso da ayahuasca somente poderá se estruturar, adequadamente, com o concurso do saber detido pelos grupos de usuários". Lembrando que o LSD também já foi permitido legalmente, e que no Canadá a maconha é liberada para uso terapêutico também... o problema não são as drogas, mas o uso que se faz delas...

No site do IPPB, vemos no artigo do Dr. Luiz Otávio Zahar que explica que "a DMT (dimetiltriptamina) é naturalmente excretada pela glândula pineal, e que desempenha um papel no processo de sonhar e possivelmente nas experiências próximas à morte e em outros estados místicos. A mistura das duas plantas potencializa a ação das substâncias ativas, pois o DMT é oxidado pela enzima Monoaminoxidase (MAO), a qual está inibida pela harmina, acarretando um aumento nos níveis de serotonina, o que causa impulsão motora para o sistema límbico no sentido de aumentar a sensação de bem-estar do indivíduo, criando condições de felicidade, contentamento, bom apetite, impulso sexual, equilíbrio psicomotor e alucinações."

Ou seja, você está ingerindo uma dose cavalar de uma substância que deveria ser naturalmente produzida pelo corpo, afetando uma parte importantíssima como o cérebro.
O que me faz concluir que o adictosomente substituui uma droga pela outra, mas continua adicto na ativa.
Segundo uma matéria da revista Veja de Dezembro de 2000
"Há sinais inequívocos de que a droga começa a ser consumida fora dos rituais do Santo Daime e da União do Vegetal. Em Rio Branco, capital do Acre, qualquer taxista sabe onde consegui-la. A reportagem de VEJA constatou: 1 litro do chá sai por 50 reais. É pedir e meia hora depois o produto está nas mãos do cliente. A ayahuasca também é exportada para São Paulo sob o nome vago de "chá medicinal". Informada sobre esses fatos, a Secretaria Nacional Antidrogas encomendou à Universidade Federal de São Paulo um estudo mais detalhado a respeito dos perigos da ayahuasca. Embora ainda não esteja pronto, o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, responsável pela pesquisa, adianta que a bebida de coloração ocre e cheiro nauseabundo tem efeitos semelhantes aos do ácido lisérgico. Pode deflagrar surtos psicóticos e, se combinada com outras substâncias, é capaz de provocar morte súbita."
Podem pensar o que quiserem, droga é droga e ponto final.

3 comentários:

  1. Desculpe-me discordar, mas qualquer argumento baseado na revista Veja não merece credibilidade.

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    Respostas
    1. Características botânicas e químicas das plantas utilizadas na preparação do chá

      O cipó Banisteriopsis caapi é da família Malpighiaceae, nativa da Amazônia e dos Andes. Possui em sua composição alcalóides ß-carbolinas inibidoras da MAO, sendo que os de maior concentração são: harmina, harmalina, tetra-hidro-harmalina. A concentração desses alcalóides varia de 0,05% a 1,95% (McKenna et al., 1998).

      A Psycotria viridis, planta da família Rubiaceae, possui em sua composição o alcalóide derivado indólico N, N-dimetiltriptamina (DMT) em concentração de 0,1% a 0,66% que age sobre os receptores da serotonina (McKenna et al., 1998).

      Baseado em análises quantitativas do chá, 200 mL de Ayahuasca possui 30 mg de harmina, 10 mg de tetra-hidro-harmalina e 25 mg de DMT (McKenna et al., 1998). Em camundongos, 5 mg/kg de harmalina causa cem por cento de inibição motora por duas horas (McKenna et al., 1998). Essa dose seria em adultos o equivalente a 375 mg em 75 kg, porém, é provável que metade dessa dose também tenha efeito (McKenna et al., 1998). Como são inibidoras da monoaminoxidase (MAO), as ß-carbolinas podem aumentar os níveis de serotonina no cérebro e os efeitos primários de altas doses dessas substâncias é a sedação provocada pelo bloqueio da desaminação da serotonina (McKenna et al., 1998). No chá da Ayahuasca, as ß-carbolinas inibem a MAO, protegendo o DMT da degradação pela mesma, (McKenna et al., 1998).

      Mecanismo de ação do DMT e das ß-carbolinas

      O RECEPTOR DA 5-HIDROXITRIPTAMINA – SEROTONINA

      Antes que se possa entender o mecanismo de ação dos alcalóides encontrados no chá da Ayahuasca, faz-se necessário o entendimento do mecanismo endógeno. A serotonina 5-hidroxitriptamina (5-HT) se distribui amplamente nos tecidos animais (Katzung, 1998). Na glândula pineal, atua como precursora da melatonina, um hormônio estimulador dos melanócitos (Katzung, 1998). Mais de 90% da serotonina do organismo são encontradas nas células enterocromafins do trato gastrintestinal (TGI) (Katzung, 1998).
      No sangue, a serotonina é encontrada nas plaquetas, que são capazes de concentrar a amina por meio de um mecanismo transportador ativo (Katzung, 1998). É encontrada também, nos núcleos da rafe do tronco cerebral, que contém corpos celulares de neurônios triptaminérgicos (serotoninérgicos) que sintetizam, armazenam e liberam a serotonina como seu transmissor (Katzung, 1998).

      Os neurônios serotoninérgicos cerebrais estão envolvidos em diversas funções como sono, humor, regulação da temperatura, percepção da dor e regulação da pressão arterial (Katzung, 1998). Pode estar envolvida ainda, com condições patológicas, tais como depressão, ansiedade e enxaqueca. Neurônios serotoninérgicos são encontrados, também no sistema nervoso entérico do TGI e em torno dos vasos sangüíneos (Katzung, 1998). A serotonina é metabolizada pela MAO em 5-hidroxin-dolacetaldeído (Katzung, 1998).

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    2. (continuando)
      A serotonina exerce muitas ações mediadas por receptores na membrana celular. O receptor 5-HT1a tem distribuição pelos núcleos da rafe e hipocampo, diminuindo o AMP cíclico e levando à hiperpolarização da membrana causada pelo aumento da condutância de K+. O receptor 5-HT1b aparece no globo pálido e gânglios da base e sua estimulação leva à diminuição do AMPc. O receptor 5-HT1c ocorre no coróide e hipocampo gerando também, aumento do IP3 nesses locais (Katzung, 1998).

      O 5-HT2 distribui-se pelas plaquetas, músculo liso, córtex cerebral e fundo do estômago, causando aumento do IP3 (Katzung, 1998). Esse aumento de IP3 significa, ao final do mecanismo, aumento da secreção e da motilidade desses órgãos e tecidos.

      Os principais efeitos da serotonina no sistema cardiovascular são: contração do músculo liso e vaso constrição potente (exceto em músculos esqueléticos e no coração); no coração causa vasodilatação e agregação plaquetária ocasionada pela ativação do 5-HT2 de superfície (Katzung, 1998). No TGI, causa contração da musculatura lisa, aumentando tônus e facilitando o peristaltismo. A produção excessiva de serotonina em tumores associa-se à diarréia intensa (Katzung, 1998).

      Sobre a respiração, a serotonina tem pequena ação estimulante do músculo liso bronquiolar (Katzung, 1998). No sistema nervoso, essa substância é estimuladora potente das terminações nervosas sensoriais para dor e prurido, além disso, é ativadora potente das terminações quimio-sensíveis localizadas no leito vascular coronário, associada à bradicardia e hipotensão (Katzung, 1998).

      A DIMETILTRIPTAMINA

      O dimetiltriptamina (DMT) é um potente alucinógeno quando usado por via parenteral na dosagem de 25 mg (McKenna et al., 1998). Sua ação é agonista dos receptores 5-HT1a, 1b, 1d e do 5-HT2a e 2c. Porém, por via oral, ele é inativado através da desaminação sofrida pela ação da enzima MAO intestinal e hepática. Os efeitos aparecem de 30 a 45 minutos, aproximadamente, e podem durar até quatro horas (Mckenna et al., 1998).

      AS ß-CARBOLINAS

      As ß-carbolinas têm propriedades alucinógenas (Caze-nave, 1996) e, portanto, contribuem para a atividade da bebida Ayahuasca. Como são inibidoras da MAO, as ß-carbolinas inibem a desaminação intestinal do DMT possibilitando a chegada deste ao cérebro, mesmo por via oral (Callaway et al. 1999). Além disso, elas ainda aumentam os níveis de serotonina, dopamina, norepinefrina e epinefina no cérebro. Os efeitos sedativos primários de altas doses de ß-carbolinas são resultantes do bloqueio da desaminação da serotonina (Cazenave, 1996). A tetra-hidro-harmina (THH) é a segunda ß-carbolina mais abundante no chá e atua como um fraco inibidor da recaptação do receptor 5-HT e inibidor da MAO, portanto, o THH pode prolongar a meia vida do DMT por bloquear a sua recaptação intraneuronal (McKenna et al., 1998). Por outro lado, a THH pode bloquear a recaptação neuronal da serotonina, resultando em altos níveis de 5-HT na fenda sináptica e pode atenuar os efeitos da ingestão oral do DMT por competir com os sítios receptores pós-sinápticos (McKenna et al., 1998).

      A ação da bebida se deve, portanto, à interação das ß-carbolinas com o DMT presentes nas plantas, que juntas potencializam as propriedades alucinógenas de ambas isoladas, levando-se em consideração que as ß-cartolinas aumentem as concentrações de DMT.
      RESUMINDO: É DROGA ALUCINÓGENA SIM, mas vc pode acreditar na mentira que quiser contar para si mesmo.
      Segue o link do estudo abaixo:
      http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n6/310.html
      Quer discordar? estude e faça testes controlados que contrariem estes resultados.

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